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Precipício

Me deparei com o precipício! Senti o vento em meu rosto, senti a liberdade em minhas veias. Senti que nada me pararia, nada me impediria. Mas você soltou minha mão, se afastou alguns centímetros para poder sentir o vento também. Foi nesse meio tempo que uma voz chamou meu nome, gritou por mim. O anti-herói perfeito pra minha história de rebeldia, talvez o príncipe dos meus sonhos. Sonhos passados, sonhos esquecidos, sonhos proibidos. Aquela voz me fez sentir um vazio, me fez duvidar da minha sanidade. Poucos segundos se tornaram uma eternidade, me fizeram querer. Um leve suspiro fez minhas pernas balançarem, fez meu coração balançar. Ouvir meu nome naquela voz rouca, um pouco falha, talvez até desesperada, isso pareceu certo. Pareceu perfeito. Vi uma alma pura por trás de olhos negros, misteriosos. Um sorriso que escondia um brilho, um brilho que me envenenava. Mas, então, vi a distância. Vi que era só uma voz no vazio, algo que já não me pertencia. Nunca me pertenceu. Você buscou p...

Essência Fajuta

Todas as janelas estão fechadas, as portas também. A fumaça embaça meus olhos, eu grito por socorro. Mas quem ainda acreditaria em mim? Quem ainda confiaria em palavras vazias, palavras sem vida? Me encontrei numa sala vazia, escura. Me enchi de promessas, de desculpas, de vazios. Me sufoquei em mentiras, mas sobrevivi, não deveria. Ignorei os fatos, os pedidos, os amigos. Ignorei a mim, ignorei os avisos. Me recriei, fiz uma nova mentirosa, uma pilantra. Mudei as palavras, os tons, os motivos, talvez até as intenções. Mas nunca mudei as consequências, nunca mudei meu final. Meu teatro se tornou sem graça depois de poucas noites, pouco tempo. Mas na platéia ainda tinha uma pessoa. Ainda tinha alguém acreditando, pedindo bis. Alguém que tomou minha peça como vida, que se apoiou em mentiras, em farsas. Que se apoiou em nada. Um dia, lá estava ela. Sentada, observando, absorvendo aquela essência fajuta. Não me controlei, aquilo estava indo muito longe, mas ela já não queria ouvir a ver...

Procuro por uma voz!

Eu morava no paraíso, a família perfeita, a vida perfeita. Mas eu tinha um vazio, um oco dentro de mim. A rotina não me cansava, os mesmos passeios, as mesmas pessoas. Eu achava que aquilo bastava. Ajudei a construir esperanças, sonhos. Em um dos meus passeios a felicidade me fez correr. O meu sorriso se paralisou ao encontrar algo novo, inexplorado. Meus olhos brilharam, meus pés se aproximaram. Era um uma espécie de muro, um muro de arames. Do outro lado tinha um campo de flores, e de lá vinha uma luz forte, um pôr do sol. Minha mente começou a quere saber o que era aquilo, por que estava preso ali. Mas todos me diziam para esquecer aquilo, pra continuar onde eu estava, como eu estava. Tentei, mas falhei. E minha mente me traiu e me atraiu pro muro de novo. Foi naquele momento, naquela hora, que percebi. EU estava na prisão e não o campo, e não a luz. Quis sair dali. Os arames farpados de um lugar irreal me arranharam, me machucaram. Aquilo em que eu acreditava se virou contra mim...