Procuro por uma voz!

Eu morava no paraíso, a família perfeita, a vida perfeita. Mas eu tinha um vazio, um oco dentro de mim. A rotina não me cansava, os mesmos passeios, as mesmas pessoas. Eu achava que aquilo bastava. Ajudei a construir esperanças, sonhos.

Em um dos meus passeios a felicidade me fez correr. O meu sorriso se paralisou ao encontrar algo novo, inexplorado. Meus olhos brilharam, meus pés se aproximaram. Era um uma espécie de muro, um muro de arames. Do outro lado tinha um campo de flores, e de lá vinha uma luz forte, um pôr do sol.

Minha mente começou a quere saber o que era aquilo, por que estava preso ali. Mas todos me diziam para esquecer aquilo, pra continuar onde eu estava, como eu estava. Tentei, mas falhei. E minha mente me traiu e me atraiu pro muro de novo. Foi naquele momento, naquela hora, que percebi. EU estava na prisão e não o campo, e não a luz. Quis sair dali.

Os arames farpados de um lugar irreal me arranharam, me machucaram. Aquilo em que eu acreditava se virou contra mim. Sangrei tentando escapar, chorei, gritei. Enfim, silenciei. Cheguei a desistir, pensei que nada mudaria aquilo, nada ajudaria. Me calei diante das vozes, o soldado obedecendo o general.

Um belo dia eu senti, não sei decerto o que, mas era forte, era alguém. Um suspiro me dizia pra continuar, pra me superar. Então a adrenalina voltou a percorrer minhas veias. Aquela presença inexistente, uma voz no escuro da minha mente, me fez querer de novo.

Eu corri, fugi e não parei. Continuei correndo, um pé na frente do outro, competindo comigo mesma. Escapei de tudo e lá estava, cada vez mais longe, mais livre, pensei.

Aquele vazio ainda está aqui, mas já sei o que é. Aquela voz que me ajudou, é ela quem me falta. E se você estiver por aí, me ajude, volte. Pois acho que eu só mudei de prisão.

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