Essência Fajuta
Todas as janelas estão fechadas, as portas também. A fumaça embaça meus olhos, eu grito por socorro. Mas quem ainda acreditaria em mim? Quem ainda confiaria em palavras vazias, palavras sem vida? Me encontrei numa sala vazia, escura. Me enchi de promessas, de desculpas, de vazios. Me sufoquei em mentiras, mas sobrevivi, não deveria. Ignorei os fatos, os pedidos, os amigos. Ignorei a mim, ignorei os avisos. Me recriei, fiz uma nova mentirosa, uma pilantra. Mudei as palavras, os tons, os motivos, talvez até as intenções. Mas nunca mudei as consequências, nunca mudei meu final. Meu teatro se tornou sem graça depois de poucas noites, pouco tempo. Mas na platéia ainda tinha uma pessoa. Ainda tinha alguém acreditando, pedindo bis. Alguém que tomou minha peça como vida, que se apoiou em mentiras, em farsas. Que se apoiou em nada. Um dia, lá estava ela. Sentada, observando, absorvendo aquela essência fajuta. Não me controlei, aquilo estava indo muito longe, mas ela já não queria ouvir a ver...